Um Banho de Vida (Le Grand Bain-Sink or Swin)

The story so far: A bunch of middle age men find in synconized swimming lessons a reason to scape their dull lifes.

Sinopse

O treino de nado sincronizado masculino reúne um grupo inusitado de homens de meia idade sob os cuidados da ex-campeã da categoria feminina, Delphine .

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Crítica

Le Grand Bain (2018) é o segundo longa-metragem do diretor francês Gilles Lellouche, (Narco, 2004 e Les Infidèles, 2012). Nessa comédia francesa, com toques hollywoodianos, um quarentão chamado Bertrand (Mathieu Amalric), mergulhado em uma depressão que já dura dois anos, encontra a saída numa piscina. É num treino de nado sincronizado masculino, que reúne um grupo inusitado de homens de meia idade sob os cuidados da ex-campeã da categoria feminina, Delphine (Virginie Efira), que Bertrand encontrará uma alternativa aos incontáveis remédios. Ao longo do filme conhecemos cada um dos personagens deste grupo a partir de pequenos fragmentos de suas vidas enfadonhas e decadentes.

Ser um homem com mais de quarenta anos, que vive numa cidade do interior da França, que não tem nem estabilidade financeira e nem emocional, parece não ser nada fácil. O filme nos leva do drama às gargalhadas, com um humor adulto e ácido, em alguns momentos chegando mesmo a ser um tanto quanto politicamente incorreto (nos dias de hoje, uma piada sobre uma cadeirante não passa desapercebida). No entanto, algo incomoda mais no filme!

Conhecemos ao longo do filme um pouco sobre cada personagem – Bertrand, Laurent (Guillaume Canet) , Marcus (Benoît Poelvoorde), Simon (Jean-Hugues Anglade), Thierry (Philippe Katerine), são homens brancos, franceses e ferrados, enquanto Delphine e Amanda (Leïla Bekhti), são duas francesas brancas que viram suas carreiras de nadadoras escorrerem ralo abaixo – porém, um personagem chama a atenção: Avanish (Balasingham Thamilchelvan) , o único homem negro que aparece ao longo do filme.

Ele não é apenas o único negro, ele é estrangeiro, muçulmano e não fala uma palavra em francês. Impossível silenciar ainda mais um personagem! Além de não sabermos nada da vida dele, não se pode entender o que ele afirma. Também, desconhecemos o que se passa na vida de Basile (Alban Ivanov), o mais jovem da equipe.

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Talvez os 122 minutos de filme, não tenham sido suficientes para contar a história de todos os integrantes desse grupo inusitado de nadadores sincronizados, mas a dúvida de porquê algumas histórias foram privilegiadas e outras não, cabe perguntar aos roteiristas (Ahmed Hamidi, Julien Lambroschini e Gilles Lellouche).

De todo modo, este grupo ganha uma certa uniformidade ao longo do filme, já que para cada um dos membros da equipe, os treinamentos são uma válvula de escape, um refúgio onde eles desabafam entre um trago e outro de maconha. E, como numa viagem alucinada, esse grupo de nadadores – nada profissionais – resolve encarar um campeonato mundial, sendo treinados pela super exigente treinadora cadeirante. É nesse contexto bastante fictício, aos modos de uma clássica comédia hollywoodiana, que se desenrola o Grande Banho, uma comédia francesa, que reflete sobre um drama social atual: o mal estar da civilização européia.

O roteiro conta a história de Bertrand, quarentão mergulhou em uma depressão por dois anos e mal consegue se manter à tona. Apesar dos medicamentos que ele engole ao longo do dia e do encorajamento que sua esposa lhe dá, ele não consegue encontrar sentido em sua vida. Curiosamente, este sentido será encontrado em uma piscina, juntando-se a uma equipe de natação masculina sincronizada.

Para cada um dos membros da equipe, os treinamentos são uma válvula de escape, um refúgio onde eles sabem que serão ouvidos e compreendidos. Juntos, eles se sentem mais fortes e acabam assumindo um enorme desafio: participar de campeonatos masculinos sincronizados de natação. A ideia parece loucura, mas vai restaurar o desejo de viver … Numa época em que uma interpretação muito estreita da masculinidade parece estar ressurgindo em todo o mundo, esse é um filme benevolente. Uma comédia social que geralmente é encontrada mais em inglês do que em francês, aborda questões reais sobre o mal-estar dos homens – e como pará-lo – , enquanto destilando boas piadas.

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Gilles Lellouche, que assinou apenas um longa-metragem como diretor, pela primeira vez, também se preocupa com dois personagens femininas jovens que suportam esse bando de garotos perdidos, os nadadores de idade cujas carreiras terminou abruptamente (Virginia Efira e Leila Bekhti).

E então, há o prazer de ver alguns dos melhores atores franceses se molharem dessa forma e exporem as falhas de seus personagens em tela cheia. Os gostos de Mathieu Amalric, Benoît Poelvoorde, Jean-Hugues Anglade (em grande roqueiro velho que ainda acredita) e Guillaume Canet estão a revelar-par, mas Katerine rouba a cena com um personagem engraçado como cativante.

As muitas personagens se apresentam fragmentadamente e a partir de suas aparições a narrativa se desenvolve sem um único centro destacado, mas com histórias de vida e suas diferentes dificuldades. O filme nos leva do drama às gargalhadas com um humor adulto com toques de críticas aos estigmas sociais em alguns momentos. Sobretudo a ineditismo de uma comédia situada em torno da competição mundial de nado sincronizado e protagonizada Bertrand, Laurent, Marcus, Simon, Thierry, e Delphine e Amanda, sua ex-parceira, cadeirante que os coloca no treinamento linha dura.  A equipe se completa ainda com a participação de Basile, Avanish e John, entretanto, não sejam mostrados suas histórias como as dos outros personagens.

Soundtrack: Try not to smile while listening.

Veredito.

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Um Banho de Vida é a quintessencial comédia europeia. Ágil, inteligente, simpática a diferentes públicos, apesar de focar em um grupo mais específico – adultos- não é difícil para que adolescentes encontrem temas nesta produção que sejam atraentes.

Crítica por C Barahona e M Tavares.

Merece 3 Clapping Kanes.

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1 comentário Adicione o seu

  1. kethuprofumo disse:

    Thank you very much for this review! It seems to me a good French comedy. I will certainly watch it! Have a nice film week!
    Best wishes,
    Maria

    Curtido por 1 pessoa

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