Crítica: Vidro (Glass 2019)

The story so far: following the events on Split, David Dunn – The Overseer – a man with great strength and stamina tries to carry on with his life and work, that includes facing criminals and street punks. While dealing with the small fishes, Dunn is following The Beast, a very dangerous criminal, in order to stop him.

Little do they know they are pawns on a chess board and the person playing the game is a man from Dunn’s past: Mr Glass.

Sinopse

Após os eventos de Fragmentado, David Dunn tenta seguir sua rotina no trabalho e à noite, combatendo pequenos criminosos. Contudo, ao tentar enfrentar a Besta, um criminoso extremamente perigoso, ele acaba sendo manipulado como uma peça de xadrez; e a pessoa jogando com ele é um homem do seu passado, o genial Sr. Glass.

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Group Therapy

Crítica

Vidro é um bom filme, deixamos isso bem claro. Mas não é a obra prima grandiosa que M. Night Shyamalan pretendia, em parte devido a sua mania de não permitir que seu roteiro receba contribuições significativas de outros colaboradores. Shyamalan entende que os filmes são dele, suas criações, e cria os roteiros para satisfazer sua visão de uma obra cinematográfica.

No caso de Vidro, o resultado é muito positivo: superar a trama de Fragmentado e alinhar dois filmes a um terceiro escrito há 18 anos, por si só já seria digno de elogios. Não deixar furos significativos no roteiro ou se deixar seduzir por soluções que desvirtuariam a obra, foram obstáculos superados com competência.

Com isso temos como produto final um estilo de filme inédito, que podemos chamar de “heróis reais ou possíveis” que sempre estará associado a Shyamalan.

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The lone surviver from Split!

Shyamalan tem um estilo inconfundível, parte disso vem do fato dele dirigir e escrever seus filmes sem contar com uma revisão ou deixar que opiniões contaminem sua obra. Seus fracassos e sucessos têm a mesma origem: sua ideia de filme!

Como diretor, não há muito o que comentar, seus filmes não permitem grandes liberdades aos atores, os personagens pertencem em um universo específico e precisam ser trabalhados dentro da percepção e da forma que o diretor os idealizou. Shyamalan  não tem um domínio magistral do posicionamento de câmera, por vezes boas sequências sofrem com o estilo singular do diretor enxergar a cena.

Porém, esta mesma rigidez garante que a visão do diretor para a obra tenha personalidade. Provavelmente uma cena filmada em um ângulo peculiar diz mais sobre o personagem do que somos levados a crer, a ideia é que a cena é vista pela percepção do personagem e não do diretor.

Os filmes de Shyamalan possuem uma estética muito bonita. Vidro tem enquadramentos lindos e existe uma simetria nas cenas que fazem parte do universo dos personagens. Lembre-se, a ideia iniciada em Corpo Fechado é baseada na correspondência: se existisse alguém inteligente, sutil e delicado seria provável que existisse alguém forte, e inquebrável e obstinado.

Tecnicamente o filme não tem nenhum demérito. Nem sua duração atrapalha, pois, apesar de longo, tem um ritmo compatível com as demais obras do diretor. Vidro lembra bastante a forma como o suspense A vila foi construído: pequenos eventos de importância limitada associados para terminar de forma impactante.

O cenário do filme é um ator à parte. Presos em um ambiente claustrofóbico e limitado, que permite que o diretor trabalhe a ideia de contenção e estranheza, um binômio importante para entender a trama e os personagens.

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O filme conta com um elenco impecável. Os três personagens principais têm três outros de apoio que correspondem às suas necessidade e características.

Bruce Willis (David Dunn) é um instrumento contundente de justiça, sua visão obtusa de certo e errado, simplesmente baseada em uma impressão, o conduz a agir de forma limitada para seu potencial. Willis reprisa seu personagem de 18 anos atrás com a mesma insegurança necessária para caracterizá-lo. Willis entende o fardo que Dunn carrega e limita suas emoções ao medo, insegurança e raiva. Uma grande atuação, dada a limitação imposta.

Sua contraparte é interpretada por Spencer Treat Clark (@Streatclark) que reprisa o papel de Joseph Dunn, filho de David. Joseph apresenta uma gama de emoções mais amplas do que seu pai. Ele oferece um porto seguro para as ações do pai, sendo seu guia moral.

Spencer Treat Clark sem dúvida merece um elogio pela atuação. Sóbrio sem ser sombrio, intenso sem exageros e seguro ao lado de um grande ator. Todas as emoções que Willis reprime Clark expressa de forma precisa, o verdadeiro sidekick.

Samuel L Jackson (@SamuelLJackson) interpreta o anti-herói Sr. Glass. Assim como Willis, Jackson revive seu personagem de Corpo Fechado (Unbreakable) e repete uma atuação brilhante. Limitado pela trama do filme, Jackson somente apresenta seu estilo mercúrio de interpretação no terceiro ato desta produção. Com um personagem adequado ao seu estilo energético de atuar, podendo utilizar seus maneirismos, Jackson domina o filme.

Charlayne Woodard (@asaleayo), deixa seu papel secundário de Corpo Fechado para uma atuação de maior destaque. Sua personagem atua para ser o contraposto de Samuel L Jackson: calma, amorosa e afetiva. Woodward pode ser considerada a personificação da ideia da maternidade ativa.

James Mcavoy (@jamesmcavoyrealdeal) encara novamente o desafio de interpretar 20 personalidades distintas e para a surpresa de ninguém, o resultado é brilhante. Eu advoguei informalmente para um Oscar para Mcavoy pela sua atuação em Fragmentado.

Enquanto Horda, Mcvoy tem a mais ampla gama de emoções para desfraldar, um presente para qualquer ator. Da insegurança de Hedwig à frieza de Patricia, do amedrontado Wendell à ferocidade da Besta. Mesmo diante de dois atores mais experientes, Mcavoy acaba se destacando em todas as cenas, fazendo de Vidro seu filme.

Anya Taylor Joy (@anyataylorjoy) vai de encontro à selvageria e caos da Horda. Casey é a bela que consegue domar a fera no filme. Sua personagem humaniza a Horda de tal forma que as consequências de sua influência se tornam em certo momento imprevisíveis no filme. Seu papel em Vidro não tem o mesmo alcance que em Fragmentado mas sua atuação é importante para a trama.

Sarah Paulson (@MsSarahPaulson) entra para o filme como a principal antagonista. Ellie Staple, a médica que busca intervir no duelo travado entre Dunn e Horda. É fria, solitária, sem nenhum vínculo social. Sua personagem é somente o reflexo de um monstro maior.

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Soundtrack: only bits and pieces of music that do not favor the movie.

Veredito

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Glass is the third installment of M. Night Shyamalan‘s “real heroes” trilogy.  The quotes are there because there is no formal name for the trilogy that started with Unbreakable, followed by Split and this one.

Shyamalan is a very good director and writer but every now and then he messes things up, either by not letting anyone have some input for the movies or or simple persuing some dead end (Avatar being the best example for both cases). But this same absolute control over the script, produces – not a masterpiece but – a movie that is almost bullet proof, meaning: the movie is good and at the same time unsettling, because it lets you down in the end when there is nothing else to see but what was shown, not an after credits scene or the promise of another movie to wrap things up.

Glass is a very good movie, if you like Shyamalan‘s movies you will enjoy this one a lot. Almost every trick up his sleeve is there and some new ones (and this is why the movie is good) that improves the script. But don’t expect a masterpiece or something so new that your head will explode. The movie has its own pace and if you want some action and big explosions you will be disappointed.

Vidro é o terceiro filme da trilogia “heróis reais” de Shyamalan. As aspas existem porque esta é uma nomenclatura não oficial mas serve para identificar os filmes que estão ligados pela trama iniciada em Corpo Fechado e seguida por Fragmentado e finalizado com Vidro.

Shyamalan é um bom diretor e roteirista, entretanto, sua resistência em permitir que seus roteiros recebam contribuições de outras pessoas por vezes o direciona para fracassos retumbantes como Avatar, a adaptação para o cinema da cultuada animação Avatar: a lenda de Aang (The Last Airbender) é o melhor exemplo desta mania de Shyamalan comandar o show sem auxilio.

Vidro é um filme muito bom. Se você acompanha o trabalho do diretor ficará contente em saber que ele usa todos os truques à disposição dele, novos e velhos, o que deixa o filme instigante. Contudo, apesar desta produção ser atrativa, com certeza melhor do que Fragmentado, ela termina de forma anti-climática, o que pode indicar novos filmes ou simplesmente um final triste para uma ideia absolutamente cativante. Não espere um filme de ação, pois o ritmo, apesar de não ser um problema, também não favorece quem espera grandes explosões e raios.

Merece 3 Clapping Kanes.

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